não somos sérios 2

 

... Por fim, gostaria de dizer que considero o trabalho desenvolvido em nossa escola muito sério.

 

A comunidade participa bastante e muitos pais, tanto quanto os professores, têm nos cobrado uma posição em relação à questão da reunião pedagógica.

 

A preocupação de muitos deles é de como vamos avaliar os alunos sem as reuniões do coletivo (são oito professores que passam por cada turma), como vamos discutir os projetos, como vamos manter a qualidade do ensino. De nossa parte, o desafio tem sido o de não ceder à tentação de voltar atrás nos princípios que vimos defendendo arduamente, como integração das áreas de conhecimento, avaliação global e processual dos alunos, construção de projetos que tornem a aprendizagem mais significativa, formação continuada...

Não existe trabalho sério na

Rede de Educação Pública Municipal de Belo Horizonte...

E, CLARO, não é por nossa culpa exclusiva...

Eis que não nos é dada,

por nenhuma forma, a possibilidade!

Sem nos submetermos às explorações pseudoneo-liberais macro econômicas do PT/FMÍstico, quando nos reuniremos a discutirmos politicamente qualquer coisa?

Reunir era bom quando o PT era de esquerda – eles (nós) o fazíamos por, e para, tudo; inclusive na educação,

de onde muitos deles foram (os ex ainda o são)...

Agora, até nos dizeres, perante as mídias, tentam nos demonstrar (como de néscios fossemos),

que nas bandas podres age cada um de per si...

Realmente os professores “passam pelas turmas” – ou elas por eles – como na Escola em que trabalho.

 

Vocês já conseguiram um grande feito:

participação real, de grande parte,

e democraticamente verdadeira,

das Comunidades às quais servem... eu, infelizmente, nunca tive oportunidade de “vivenciar” tal proeza! 

 

(a maior parte dos recursos do PAP estão sendo gastos com isto),

Gato muito escaldado, certeza tenho que,

 brevemente descobriremos,

os PAP são não mais que outro golpe de mídia

(podem compartilhar esta minha absoluta certeza)!

Como a informatização da Rede, aliás...

inclusão de todos, principalmente aqueles que têm muitas dificuldades de aprendizagem, que muitas vezes são mais excluídos da escola que os portadores de deficiências.

A “inclusão” de alguns destes,

os “com muitas dificuldades de aprendizagem”,

eu as vejo todo dia, pessoalmente, nos velórios,

e nas notícias de óbitos das colunas policiais...

Nem identificamos que são nossas as maiores dificuldades, até mesmo ao não reconhecermos dentre eles os “muito acima das médias”,

igualmente alijados pelas nossas ineficiências!

Acredite! É isto que tem nos movido. É por isso que ainda mantemos nossas reuniões semanais com as equipes de trabalho de cada turno, e não simplesmente para acatar uma decisão de assembléia ou pra afrontar a Secretária de Educação.

Esta é uma parte da nossa obrigação...

reunir para os fins necessários...

durante a jornada normal de trabalho!

Outra é cobrarmos da ainda Secretária do ainda Prefeito,

via Assembléias nossas, Conselho Municipal de Educação, Ministério Público, a que a Administração Municipal cumpra a sua obrigação legal de atender os alunos em 200 dias, com outros professores (eu digo professores – e não amiguinhos globais expropriados).

Estou certa de que ainda temos muito a conversar sobre isto e vejo com bons olhos, mas sem ingenuidade, a proposta apresentada pela secretaria de construção de um fórum de diretores. Mas, acredito que precisamos de fato construí-lo, começando talvez pelo óbvio: qual será a sua função?

Quantas horas semanais a Direção Escolar é afastada de sua principal função, a Coordenação Geral Pedagógica e Política da Escola, chamada às várias reuniões a ouvirem as novas instruções verbais, ameaças de retaliações às ações coorporativas, ordenamentos acima das leis, etc.?

E durante quantas horas é compradora, transportadora, contratadora, tesoureira, secretária, auxiliar de secretaria, socorrista, enfermeira, conselheira, mestra-de-obras...

e não Direção Escolar?  

Um abraço,
Terezinha Rocha
Diretora da Escola Carlos Drummond.

Klauss Athayde, 21/08/05;

RG 10.324.924 SSP/SP;

klauss@klauss.com.br; kathayde@bol.com.br