...tolocracia ...

 

Decerto que, se no tempo já não se fixam os costumes, carreada continua e exponencialmente aos nossos entendimentos a avassaladora capacidade contemporânea de informação, igualmente impotente a sociedade no assimilar por evolução os termos descritivos do presente. Ultrapassam-se os limites terminológicos de um vocábulo antes mesmo de sua veiculação a todos os ouvintes, por mais atentos e equipados sejamos. Antes, (outro dia, há menos de três décadas), determinados verbetes via em regra ficavam adstritos a um estamento, e ali se sedimentavam; posteriormente se irradiavam aos demais grupos de similar desenvolvimento sócio-cultural, e muito depois, quase invariavelmente por corruptela, massificava-se, até deturpando o linguajar popular sua aplicabilidade original. Muito se deu assim nas plagas nossas, decorrentemente de tantas distintas influências havidas.

Tais arrazoados sociológico-lingüísticos servir-me-ão de introdução ao que ora busco concatenar.

Nas acepções de Houaiss, tantas são as que sinonimizam tolo que, por curiosidade, as arrolei ao fim deste.(1)

Já o verbete democracia não se estende em sinônimos – não há registro de nem um. Contudo, suas acepções são de variadas amplitudes – amoldando-se aos sentidos políticos que lhe emprestaram as diversas civilizações. (2)

Diferentemente de tol@, (símbolo neológico correlacionado aos valores democráticos que buscamos) de inúmeras aplicações correntes, a democracia – a palavra – não houve por bem em verdade evoluir, eis que, embora debalde discursivamente prolatada, de fato impedida no tergiversamos em variados descaminhos. Só evoluem as palavras real e plenamente aplicadas, nos sentidos verdadeiros a cada então.

Tal não se dá. Seduzidos pelos seus sentidos e sentimentos mais utópicos, à maioria das nossas gerações foi negado o seu fruir. Assim, quando havida a possibilidade almejada, abraçamos sôfregos a bandeira que mais homogeneamente a rePresenTava. Sabemo-los já, dos resultados... outra($?) gerações estarão em breve perdidas, em múltiplos sentidos.

Daquela evolução, escudada em princípios socialistas já centenários, herdamos, nós assim pensantes, que a todos, na democracia, seria dada a presença, a atenção, a palavra, e o voto... a todos, indistintamente...

Mas, então, inexistem as guerras, e o universo se harmoniza na paz! Se todos somos socialistas (e em decorrência, democratas), não mais existem inimigos; somente fraterno-adversários circunstanciais.

Que tolice... pois que, corrente ao vulgo, em guerra estamos, por a nós nos ser ela declarada, ao nos negarem princípios básico de sua possibilidade – esperam que nos submetamos, retornando às relações da barbárie, ao jugo e ao julgo destes PoTentados, mesquinhos (como soe), títere-encastelados.

Compartilharmos então, com tais biltres, os nossos momentos políticos maiores, redunda em acoitarmos dentre nós os olheiros dos algozes. Isto, ao estarmos deliberando sobre nossas estratégias, logísticas, e táticas, corresponde a adiantamos ao inimigo toda a nossa capacidade de mobilidade. É uma tolice...

Daí o estar matutando sobre que neologismo aplicar, à inexistência de termo que se adéqua a este evoluir.

Amalgamei então – Tolo –, de nossas tolices, ao ideal que se mostra inexeqüível ao nosso alcance imediato, a DEMOCRACIA. No que deu, por neologismo...

... tolocracia ...

 

... que hei por bem assim definir:

 

“Democracia dos que não se apercebem da proximidade de seus inimigos, aceitando-os entre si!”

 

Ah! Ainda pelo inusitado, detenham-se a observar que lá, em Houaiss, já se encontram: apalermado, mané, palerma... aos quais solicitarei, ao insigne compilador, o acréscimo de alguns de nossa (cruzes) articulação: biltre, iza(3), losna, laraita(4), puxa-sacos, robissão(5), traíras...   (espaço reservado a outros, que logo me virão)...!

 

(6)

 


1 - TOLO: adjetivo e substantivo masculino1 que ou aquele que não tem inteligência ou juízo; 2 que ou o que é tonto, simplório, ingênuo, que diz ou pratica tolices; adjetivo3 que não tem nexo ou significação; disparatado – Ex.: <dito t.> <idéia t.>; 4 que não tem razão de ser; falso, infundado – Ex.: suspeita t.

 

Sinonímia: Como adj.s.m.: (e afins) ababosado, abestalhado, abobado, abobalhado, abobarrado, acanhotado, alarve, alonso, alvar, alvarinho, apalermado, aparvado, aparvalhado, aparvanhado, apatetado, apombocado, apoucado, arara, aruá, asneirão, asneirento, asneirista, asonsado, atolado, atolambado, atoleimado, azêmola, babaca, babanca, babão, babaquara, baboso, badana, badó, bajoujo, basbaque, bate-orelha, belarmino, beldroegas, beliz, bertoldo, bestalhão, bestiaga, bestiola, bobo, bobó, boboca, bocó, boleima, bolônio, boquiaberto, boto, broco, calino, cândido, capadócio, cepo, chapetão, coió, crédulo, curto, débil, enxovedo, escroto, estólido, estulto, estúpido, fátuo, gaivota, girolas, guedes, hebetado, hebetizado, idiota, imbecil, incapaz, inepto, inexperiente, inhenho, inocente, intelijumento, jegue, jerico, jumento, lamecha, lapardão, lapardeiro, lapuz, lorpa, mama-na-égua, mandu, mané, mané-coco, mané-do-jacá, mané-jacá, manema, manembro, manicaca, maninelo, marinelo, maroto, marruá, mazanza, mentecapto, molongó, obtuso, orelhudo, otário, paca, pacóvio, pai-mané, paio, palerma, palonço, palúrdio, pancrácio, pandorga, papalvo, parrana, parvajola, parvalhão, parvo, párvulo, pascácio, pasmado, paspalhão, paspalho, pataco, pataloco, pataloto, patamaz, patarata, pataroco, patau, pateta, patocho, patureba, paturega, pengó, pongó, prego, primário, puro, raca, sambanga, sandeu, sandio, sarambé, saranga, sarango, simples, simplório, soronga, sorongo, tacanho, tanso, tapado, toleirão, tonto, trouxa, urumbeba, urumbeva, xexé, zamboa, zote, zuco; (com animais): animal, aranha, arara, asinino, asno, azêmola, besta, bestalhão, burrego, burro, camelo, cavalgadura, égua, gaivota, jegue, jerico, jumento, orelhudo, paca, papa-moscas, patinho, pato, patola, zebra; ver tb sinonímia de bronco e ingênuo e antonímia de verdadeiro.

 

2 - DEMOCRACIA: substantivo feminino – Rubrica: política. – 1 governo do povo; governo em que o povo exerce a soberania; 2 sistema político cujas ações atendem aos interesses populares; 3 governo no qual o povo toma as decisões importantes a respeito das políticas públicas, não de forma ocasional ou circunstancial, mas segundo princípios permanentes de legalidade; 4 sistema político comprometido com a igualdade ou com a distribuição eqüitativa de poder entre todos os cidadãos; 5 governo que acata a vontade da maioria da população, embora respeitando os direitos e a livre expressão das minorias; 6 Derivação: por extensão de sentido. – país em que prevalece um governo democrático; Ex.: ele é cidadão de uma autêntica d.; 7 Derivação: por extensão de sentido. – força política comprometida com os ideais democráticos; Ex.: a d. venceu as eleições naquele país; 8 Derivação: sentido figurado. – pensamento que preconiza a soberania popular; Ex.: a d. ganhou espaço na teoria política.

 

Etimologia: adp. ao lat.tar. democratìa,ae 'id.', prov. através do fr. démocratie (1370 em Nicole D'Oresme, 1694 no sentido moderno); atribui-se à infl. do fr. a prosódia deste voc. em port.; ver dem(o)- e –cracia.

 

3 - IZA: substantivo feminino – Rubrica: angiospermas. Regionalismo: São Tomé e Príncipe. m.q. disanha (Treculia africana).

 

4 -LARAITA: substantivo feminino. 1 Regionalismo: Portugal.; porca magra e grande; galdrapa; 2 Regionalismo: Portugal. Uso: informal, pejorativo; mulher magra e alta; 3 Derivação: por analogia. Regionalismo: Beira. fome.

 

5 - ROBISSÃO: substantivo masculino (será?). Rubrica: vestuário. Regionalismo: Brasil. Uso: informal. m.q. sobrecasaca.

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Klauss Athayde, 20/05/05.

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