DIÁLOGO tricotômico... mais no tempo que no conteúdo...

 

Pilar (Secretária) a Woodson e Sérgio, (05/2005);

e, Pilar (professora, em 15/15/99)...

Klauss (Conselheiro), à Rede e à Comunidade,

Em itálico, Pilar (professora, em 15/15/99)...

(2005) - Eu insisto no diálogo apesar de às vezes sentir que falamos línguas diferentes. Mas somos todos professores e professoras desta rede.

(1999) – “... gostaria de escrever-lhe em outro tom, mais ameno e cordial, mas sua coluna só me trouxe desalento, raiva e frustração...”

Falamos línguas diferentes sim: a Sra. Secretária pelo Governo que representa; nós trabalhadores que lutamos por qualidades na educação (o que NUNCA se dará sem salários condignos); e os servidores da educação que se abstêm da greve por diversas razões, inclusive covardias e comodismos.

Se sempre chamamos os pais, se falamos com eles sobre o que fazemos e como seus filhos estão, porque esta incompreensão na cidade como um todo sobre o ensino na rede municipal? Porque as crianças não aprendem a ler? Porque não sabem contar? Porque a cidade acha que na escola plural não tem avaliação? Eu digo que não tem nota mas tem avaliação sim e constante.

Reconhece então, a Sra. Secretária, que há “incompreensão na cidade como um todo sobre o ensino na rede...”? Não será porque ainda lhes falam a mesma linguagem de 1999: “... daqueles que se dizem petistas (são agora o resto do PT) e hoje colaboram (são o governo municipal) com este (ora mui mais) pífio governo municipal...”, e porque agora só é melhor porque dele faz parte?

Nosso salário não é dos piores, nosso tempo de sala de aula diminuiu de 30 horas em 1989 para 12 a 13 horas agora temos uma média de 29 alunos por sala temos bibliotecas em todas as escolas, temos livros, merenda, transporte escolar. Temos 92% dos professores com curso superior, 35% com algum tipo de pós-graduação.

As escolas receberam mais de 30 milhões em 2003/2004 para manutenção, assistência ao educando e projetos pedagógicos e teve a maior autonomia para decidir como gastar.

Não quero e nem vou dizer que a culpa é dos professores ou da pobreza ou dos alunos, porque não é! Mas se não pararmos para refletir sobre o espaço escolar, o uso dos tempos, os direitos de todos os sujeitos que estão lá, não avançaremos. Porque temos vontade de acertar, porque estamos estudando, avaliando, ponderando. Mas, se não sairmos do lugar de “vítimas”, de “coitadinhos”, do lugar de lamentar e reclamar, não mudaremos este contexto.

Nosso de quem, Sra. Secretária? Se “... não se faz educação de qualidade com professores desrespeitados e mal pagos, mal tratados, e agora destratados por uma imprensa subserviente e atrelada aos interesses mais mesquinhos... da elite econômica...”, situação agravada no tempo, pela mesma direção econômica, que não paga precatórios, indenizações de férias-prêmio em dia, a metade do 1/3 de férias, períodos sabáticos, substituições, dias escolares não previstos em lei, trabalho (escravo) durante as férias, reajustes condignos... E que se arvora em mais eficiente aplicando os mesmos ilegais percentuais da arrecadação, se apropriando da aplicação mínima obrigatória como se fosse benesse deste governo, e até usurpando os recursos pessoais dos profissionais, aplicados em sua formação, na maior parte, às custas do próprio salário?

E sonegando informar que grande parte dos recursos ditos às Caixas Escolares se destinam às imorais, por ilegais, contratações de não concursados?

Não assumi a SMED para fazer coisas fáceis ou demagógicas.

Ora, ora, Exma. Sra. Secretária: que fáceis não são, hei de convir; mas, que não demagógicas...?

Acredito na Escola Plural, como um projeto para todos, sem exclusão, sem classificação, sem preconceito. Mas precisamos refletir e avaliar e usar os resultados da avaliação para tomarmos decisões. Ao chamarmos os pais, estamos melhorando a avaliação da cidade sobre o trabalho das escolas municipais. Se olharem a ficha sem preconceito (inclusive porque ela foi fruto de debate de muitos professores da rede) não estamos falando de conteúdo, mas de encaminhamentos para que o aluno aprenda mais e melhor. Usar a ficha para fazer reivindicação da categoria é obtusidade, me desculpem a sinceridade.

Seria aqui possível falarmos a mesma língua SE a linguagem não trouxesse em suas firulas enormes, monumentais, gigantescas distâncias entre um objetivo político-filosófico sonhado e a não possibilidade material à sua realização. Certo que algumas e muitas discussões quanto aos encaminhamentos, e todas suas avaliações, estão a encobrir também as nossas (do corpo docente) incompetências – no sentido que deveria ser obvio neste discurso, de limites potenciais nas competências – decorrentes mais de conjunturas de formação e inadequações diversas, do que desejo da categoria. Do que discorda o pseudo-pai da criança, protegendo sua criação, diga-se.        

A Prefeitura criou o Prêmio Paulo freire, com premiação em dinheiro para divulgar e incentivar os projetos transformadores desta rede. Toda notícia de prêmio da rede que recebemos são sempre divulgadas no sítio da PBH, e em nossos releases para toda a imprensa. Fizemos um concurso de poesia na rede e um garçom, aluno de EJA foi premiado e foi para a Nicarágua. Publicamos experiências através da Rede de Trocas, investimos 60 mil reais na Mostra Plural.

Será que não existe um preconceito básico e paralisante que nos impede de ver que estamos achando que toda a qualidade da rede se deve a duas horas de reuniões no horário de aulas dos alunos? será que é justo fazer uma greve cujo motivo maior é descumprir uma lei federal?

Também se adoçam animais em adestramento... Que coisa mais antiga e inadequada às formações escolares. Principalmente quando imoralmente expropriados e aplicados os resultados, que muito menos são em decorrência do que nos oferece a Administração, do que pelas aplicações potenciais e/ou possibilidades materiais individual-comunitárias das escolas. Aqueles R$60.000,00 não são, sabemo-lo, os únicos jogados às mídia em benefício do marketing pessoal-político-partidário. Que parcela representa perante os mais de R$8.000.000,00 lançados em publicidade no eleitoral ano de 2005? Quem duvidar tiver, poderá confirmar no DOM: 07/02/04; 30/04/04; 24/07/04; 27/10/04.

Descumpre a legislação a PBH com o PT e conluiados: ver em Tempos do Professor”.

Porque não apareceram propostas sobre alternativas criativas de fazermos reuniões de professores fora do horário letivo?

Quantas categorias profissionais do Brasil têm direito a 34 dias úteis de recesso e mais 31 dias de férias?

A Sra. Pilar não entende que trabalho forçado não remunerado é trabalho escravo? Contudo, estou sim estudando propostas, que atendem às leis.

Nossas férias são de 60 dias... Do histórico-tempo deveria lembrar-se que muitas são as profissões de labutas diferenciadas (+ de 50): ver em DIEESE. 

Eu gostaria de chamar meus colegas de profissão para um debate construtivo, transformador e modificador das nossas práticas cotidianas. Reagir instantaneamente a toda e qualquer proposta de mudança é “reacionarismo”, resistência inexplicável a uma provocação a criatividade e ao diálogo.

Eu quero conclama-nos a um debate construtivo, transformador e modificador das NOSSAS práticas cotidianas. Reagir instantaneamente a toda e qualquer proposta de mudança retrógrada não é “reacionarismo”, é cidadania. A não resistência é inexplicável à condição humana democrática; submete o ser à subserviência, à escravidão!

Sinceramente, Pilar.

Assim reagia a Professora Pilar, nos idos 1999!

 

Disse o Prefeito, em seu discurso de apossamento:

Política, que é a arte de dirigir a pólis, de construir caminhos coletivos, arte de buscar alternativas quando tudo parece impossível, a arte de buscar, superar as dificuldades e erigir um consenso básico entre interesses diferentes, entre demandas que, às vezes, se contrapõem...

E o primeiro compromisso que tenho, e que quero reafirmar aqui, é com a caminhada de uma geração que lutou e se sacrificou pela conquista da democracia neste país. Geração que, no fundo da noite imposta pela tirania, podia dizer naquele momento, de insubmissa e audaz, o verso célebre de Fernando Pessoa: "não posso querer ser nada, mas tenho em mim todos os sonhos do mundo". Destes sonhos, sonhos de construção de um mundo justo, fraterno, de oportunidades iguais, nós, da geração de 68, fizemos um projeto de vida. Pagamos um alto preço, perdemos amigos, companheiros e companheiras, de quem não me esqueço, cuja imagem e exemplo trago sempre na memória e no coração, mas deixamos para trás a intolerância política e o arbítrio, e retomamos um caminho democrático, com suas dificuldades e percalços, mas essencial para que os homens e as mulheres deste país possam decidir suas vidas, sem imposições ou restrições de qualquer natureza.”...

Encerro esse discurso, já demasiado longo, não sem antes fazer uma última declaração de princípios. Democrata por convicção, acredito firmemente que a sociedade é sempre maior do que o Estado. Este só existe para servir à sociedade, e nunca para se servir dela. Os governos, todos os governos, só são legítimos se estiverem fundados nos direitos de todos, ou de cada um dos cidadãos.

 

Klauss Athayde, 20/05/05.

RG 10.324.924 SSP/SP

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